sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Pesquisadores encontram maconha mais velha do mundo


Um grupo de cientistas afirma ter encontrado em uma tumba na China o estoque de maconha mais antigo do mundo. O "tijolo" de 789 gramas de Cannabis sativa desidratada tem cerca de 2.700 anos e foi cultivado "para uso psicoativo", de acordo com pesquisa publicada no "Journal of Experimental Botany", da universidade britânica de Oxford.

Segundo os pesquisadores, a erva foi enterrada ao lado do corpo de um homem caucasiano, possivelmente um sacerdote da chamada cultura Gushi, que habitou a região noroeste da China.

Graças ao clima árido e solo alcalino, a maconha foi preservada. Após análise cuidadosa, os cientistas concluíram que mesmo após quase três milênios, a erva preservou seu princípio ativo.

"Até onde sabemos, essa é a amostra mais antiga que mostra a utilização de canabis como droga", afirma o neurologista Ethan Russo, um dos autores do estudo.

Os pesquisadores não conseguiram determinar se, à época, a droga era fumada ou ingerida, já que não foram encontrados cachimbos ou outras evidências no túmulo do xamã, que teria morrido com cerca de 45 anos.

"Era comum enterrar as pessoas com objetos e mantimentos que poderiam ser utilizados na vida após a morte", explica Russo.

Fonte: G1.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Não compre plante

Os pós que reduzem ao pó
Divulgação
Ficção e realidadeO ator Wagner Moura, na pele do personagem capitão Nascimento, de Tropa de Elite: o filme mostrou como o consumidor de drogas financia a cadeia criminosa
Quem acompanha o noticiário pode ter a impressão de que o universo das drogas se restringe a produtores e traficantes. Nas reportagens, os consumidores, responsáveis por alimentar essa cadeia econômica criminosa, ora inexistem, ora são vistos sob a ótica do politicamente correto, cujas lentes tendem a minimizar o impacto destrutivo das substâncias entorpecentes ou alucinógenas sobre os próprios viciados, suas famílias e a sociedade. No entanto, relegar o fenômeno à fraqueza inerente à condição humana, como se ele não comportasse conseqüências funestas, é um equívoco. Mais do que nunca, dada a dimensão do problema, é necessário inculcar nos adolescentes que compõem a massa de potenciais usuários e nos indivíduos já viciados a noção de que, ao acender um cigarro de maconha ou cheirar uma carreira de cocaína, eles se tornam cúmplices dos bandidos que aterrorizam desde a Amazônia até as favelas das cidades brasileiras. O filme Tropa de Elite, lançado em 2007, representou um passo nesse sentido. Em que pesem sua truculência e desvios de conduta, o personagem capitão Nascimento desnudou a hipocrisia do politicamente correto, que absolve o consumidor, livrando-o de sua responsabilidade social. Se não é possível – nem desejável – realizar vários Tropas de Elite por ano, é factível produzir programas televisivos que abordem a questão das drogas de maneira didática e abrangente. Recentemente, foi exibido na TV brasileira um documentário exemplar, protagonizado por um roqueiro inglês, ex-cocainômano. Ele veio à América do Sul para mostrar aos cidadãos de seu país como as baladas movidas a pó fortaleciam a narcoguerrilha colombiana.
Ao tratar dos dramas individuais causados pelas drogas, VEJA sempre procurou mostrar sua conexão com a tragédia maior engendrada pelo comércio de entorpecentes. Nesta edição, a revista volta ao tema em duas reportagens. A primeira revela a luta de Fábio Assunção, um dos mais queridos atores brasileiros, para livrar-se do vício em cocaína. A outra faz uma constatação apavorante: o crack, a mais perigosa das drogas, de uso antes restrito a miseráveis dos grandes centros, chegou à classe média e agora responde pela maioria das internações nas mais caras clínicas de reabilitação de viciados. VEJA continua, assim, a cumprir seu papel de conscientizar os leitores do poder maligno dessas substâncias ilícitas que cancelam existências, arranham biografias, degradam as cidades e comprometem o futuro de países inteiros. Essa é a verdadeira visão politicamente correta.